Sex | 04.08.17
Em que altura da vida aceitamos que os filhos têm asas?
Ela é a mais velha, tem 20 anos e partiu de férias sem nós, pela primeira vez.
Quando me falou no assunto,ouviu-me firmemente dizer " Vai. Que bom, será uma boa experiência".
Às vezes, dá tanto jeito o nosso coração estar escondido e não ter voz! O que eu queria gritar era: fica, preciso de te ter aqui, como conseguirás sobreviver sem mim? O mundo é perigoso, eu protejo-te...
E revivi aquele turbilhão de emoções - misto de orgulho, misto de angústia - que senti quando eles ficaram na ama pela primeira vez, quando passaram o portão da escola com uma mochila gigante às costas, como se carregassem a independência no dorso.
Depois surgem as noites nas casas dos amigos, em que o quarto fica vazio, a casa em silêncio, abandonada...até que chega aquele dia em que a entrada na Universidade os leva para outra cidade, lhes abre as asas para voos mais longos, construírem outro ninho, se desenrascarem sozinhos, assumirem responsabilidades....
E aqui continuamos com o mesmo grau de prontidão, preparados para ouvir desabafos a qualquer hora da madrugada, motivar nos momentos de desalento, explicar como se faz o jantar...
Cá no fundo, ficamos eternamente à espera que eles voltem a aninhar-se no nosso colo, deitem a cabeça no nosso braço, enrolem o dedinho numa madeixa do nosso cabelo e peçam uma canção de embalar.