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A 3ª face

Sex | 25.10.19

Desafio dos Pássaros #7

 

Tema: A Constança precisa duma mascara capilar mas o teu patrão só quer que vendas compotas de abobora com amêndoa. Convence-a  a escolher a compota para usar 

 

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Terminar uma relação ou atravessar o fim do mundo é mais ou menos o mesmo. Não há vida para além disso.

E eu, depois de me separar do Rui, entreguei-me à eternidade da escuridão.

Do quarto.

 

Os meus avós, em desespero, tomaram uma decisão.

Fizeram-me a mala à pressa, enfiaram-me no carro e só pararam no destino: Alentejo!

Despejaram-me na casa dos meus padrinhos, numa pequena vila, já o sol estava posto e apenas se ouviam  grilos e  cigarras.

Nos dias seguintes, fiz longas caminhadas e na imensidão da planície, esvaziei-me. Uma manhã, qual girassol, virei-me para o Sol e reencontrei a luz da vida.

É a magia do Alentejo. Só entende quem lá vive.

 

Os meus padrinhos têm um comércio: uma regataria onde se vende de tudo. De um lado é café, gerido pelo padrinho. Passa-se a arcada de tijolo-burro e já estamos no mini-mercado da minha madrinha.

Fiz questão de ajudar e, um dia, ao arrumar as prateleiras, percebi que o prazo de validade do doce de abóbora com amêndoas, feito artesanalmente lá em casa, estava a expirar.

- Ai filha, temos de o vender! Coloca-o ao pé da caixa e impinge-o aos clientes.

 

A primeira cliente a entrar foi a Constança. Uma menina tola, filha do maior latifundiário da zona.

- Quero uma máscara capilar adaptada ao meu cabelo, por favor.

- Destas cheias de químicos e derivados de petróleo? Sabe, em Lisboa, já caíu em desuso: usamos produtos naturais, muito mais ricos em propriedades benéficas para a saúde.  

O doce de abóbora com amêndoa, por exemplo, é o melhor: associa a hidratação potenciada pelas vitaminas E, B, A, o ácido fólico e a arginina das amêndoas à  elevada concentração enzimática da abóbora. Os carotenóides e antioxidantes fazem milagres ao cabelo seco e quebradiço e há estudos que apontam que o uso de abóbora previne a calvície. Basta fazer uma máscara meia hora antes de lavar o cabelo.

Graças aos meus conhecimentos de saboaria, fui convincente.

- Careca não deverá ficar - pensei.

 

São onze da noite e ainda estou no alpendre.

Há duas horas que descasco abóboras para a madrinha fazer doce.

A Constança não só adorou como rapidamente se espalhou, pela vila e arredores, o milagre do doce de abóbora e amêndoa no cabelo.

Escoámos o stock.

Fizemos mais e esgotou.

Talvez hoje consiga surripiar um frasquinho para experimentar no meu cabelo…

 

(continua)

Sex | 25.10.19

No poupar é que está o ganho (a poupança em ditados #25)

 

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Talvez seja este o ditado mais conhecido e mais irrefutável.

Ganhamos aquilo que poupamos, como se a vida fosse uma peneira que criva o dinheiro.

Que essa peneira seja sempre a consciência, que nos faz escolher o prioritário em detrimento dos caprichos.

 

Quando pensei neste post, planeei escolher um dos maus exemplos que conheço, de quem não aplicou este ditado.

Mas ontem, li este post da Ariana e senti-me pequenina ao lado do que relatou e da forma como o fez. Vão lá ler que hoje, poupo-vos a um texto longo.  

 

Que tenham um excelente fim-de-semana e aproveitem bem a hora extra! 

(Não se esqueçam de acertar o relógio )

Qui | 24.10.19

Conhece-te a ti mesmo (a poupança em ditados #24)

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Qualquer mudança exige um ponto de partida.

A decisão de não mudar também.

 

Para decidir se queremos ser mais poupados ou concluir que estamos bem, é necessário perceber como nos comportamos com o dinheiro.

Ou seja, conhecer o nosso perfil financeiro.

 

Tipicamente, podemos identificar 5 perfis, a saber:

 

O POUPADOR:

  • Sabe que é importante poupar
  • Corta facilmente nos gastos
  • A sua necessidade de segurança pode chocar os outros
  • É disciplinado e tem boa capacidade de poupança
  • Tem um perfil de consumo básico
  • É conservador em relação a novas experiências 

 

O GASTADOR:

  • Vive o presente como se não existisse futuro
  • Gasta tudo o que tem, não poupa
  • Adora ostentar bens materiais 
  • Vê os créditos como um meio para atingir satisfação imediata
  • Tem dificuldade em definir rotinas de aforro
  • Tem muitos passatempos, nos quais gasta muito dinheiro
  • Está sempre aberto a novas experiências, mesmo que isso implique gastar muito dinheiro
  • Não tem poupanças, pelo que está, do ponto de vista financeiro, totalmente dependente do emprego

 

O DESCONTROLADO:

  • Não sabe quanto e onde gasta o dinheiro
  • Corta nos gastos, mas nunca o suficiente
  • É desorganizado na gestão do dinheiro
  • Dá mais importância aos bens não materiais
  • É indisciplinado por natureza
  • Tem propensão para gerar conflitos

 

O DESLIGADO:

  • Poupa, mas não sabe quanto nem para quê
  • Só poupa quando sobra dinheiro depois de pagar as despesas
  • Aumenta os gastos sempre que o rendimento aumenta
  • Fica sempre surpreendido com as prestações dos créditos, porque não presta atenção às condições na hora de contratar um empréstimo
  • Não pensa no longo prazo
  • Tem pouca capacidade para estipular planos e definir objectivos

 

O FINANCEIRO:

  • É rigoroso no controlo dos gastos
  • Elabora orçamentos, faz listas, estuda a evolução do seu comportamento
  • Possui elevado conhecimento e interesse pelas soluções de gestão, poupança e investimento
  • Traça planos e coloca-os em acção com facilidade
  • É muito minucioso (talvez em demasia)

 

Com qual se identificam mais?

Reconhecem alguns traços individuais?

Aspiram conquistar um novo perfil?

A mudança pode começar aqui. 

 

Nota: post baseado aqui

 

 

 

 

Qua | 23.10.19

Um pedido de desculpas em modo público

 

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Se há coisa, nesta vida, que faço questão, é de retribuir o bem.

Aqui na blogosfera é ponto de honra: responder aos comentários, ler os outros blogs que sigo e comentar.

Todavia, por esta altura, o tempo começa a encolher: o trabalho aumenta em horário laboral.

Em casa, começam as encomendas e a preparação para o mercadinho de Natal...

Ainda não acabámos Outubro e ando a diminuir as leituras dos meus blogs preferidos...a saltar comentários...a atrasar a resposta dos meus.

 

Por isso, venho aqui publicamente apresentar o meu pedido de desculpas.

 

E assumir que não, não vai melhorar.

Até ao Nata,l vou andar na azáfama do  meu part-time, agora dividido entre costura e saboaria.

Porque não consigo ficar quietinha, meu Deus?

Qua | 23.10.19

Mais vale pouco que nada (a poupança em ditados #23)

 

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O que têm em comum uns óculos, um estojo de lentes de contacto e uns comprimidos?

Poupança, meus amigos. Poupança - ou a falta dela!

 

Tive uns óculos de massa que usei quase uma década. Ainda os tenho mas, há cerca de dois anos, quando fui à revisão, aumentei um quarto de dioptria e decidi aligeirar o visual.

Comprei uns óculos quase invisíveis, sem aros.

 

Óculos:

Há um mês, a armação soltou-se de um dos lados e fui à óptica pedir que mos arranjassem porque tinha medo de fazer asneira.

Diagnóstico: o pino minúsculo que encaixa na lente partiu-se. Só comprando nova armação e aproveitar as lentes…

Os óculos têm menos de 2 anos…nem posso ainda pedir comparticipação da ADSE. Levei-os para casa, a pensar que poderiam ser soldados. Achei que não e colei-os com cola de contacto.

Ainda cá andam…provavelmente não duram muito mas voltarei a colá-los. E entretanto, marcarei consulta para confirmar as dioptrias.

 

Conselho nº 1: não comprem armações pouco resistentes.

 

Lentes:

Quando tenho tempo de manhã e durmo o suficiente para os olhos aguentarem as lentes, prefiro usá-las.

Costumava comprá-las na óptica mas descobri que as lojas online têm preços imbatíveis e por isso, faço uma encomenda anual de um kit com a solução líquida, por pouco mais do preço de uma caixa.

Cada frasco de solução oferece um estojo para guardar as lentes, o que é um desperdício.

 

Conselho 2: pesquisem preços mas em lojas fiáveis, para garantir a qualidade.

 

Comprimidos:

Foi-me diagnosticado um problema de saúde que requer vigilância.

Uma nuvem negra que irá pairar por muito tempo.

A médica sugeriu-me um suplemento alimentar, cujos estudos científicos estão a comprovar a eficácia: coriolus versicolor.

Inicialmente, tomei 12 por dia.

Agora tomo 6 por dia: 3 ao almoço e três ao jantar.

Com a azáfama, fico sempre na dúvida se os tomei ou não e achei melhor comprar uma caixa de comprimidos.

Eu disse comprar?

Para quê, se tenho estojos das lentes grátis e que jogo fora?

Digam lá se não encontrei a caixa perfeita:

 

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Conselho nº 3: antes de comprar algo que acham que precisam, investiguem se não têm lá por casa algo que possa ser reutilizado ou transformado. Pode ser quase nada mas já é uma poupança.

 

Ah, e quanto ao suplemento alimentar:

É para tomar durante um ano e é caríssimo!

Já comentei que me saía mais barato pagar uma histerectomia do que os comprar.

E como não percebo muito do assunto, desafio o Triptofano para falar sobre o Coriolus Versicolor.

Parece-me um assunto muito pertinente.

Aceitas, Trip?

 

 

 

Ter | 22.10.19

Poupai o vosso e não mendigareis o alheio (a poupança em ditados #22)

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Cada vez que aplico este ditado, lembro-me da fábula da cigarra e da formiga.

E associo sempre àquelas pessoas que gastam mais do que ganham porque têm um suporte onde ir buscar uns tostões extra: aos pais, aos colegas que emprestam, a um adiantamento da empresa…ou ao crédito pessoal.

 

Esta engenharia financeira move-se em espiral e tende a criar uma força incontrolável.

 

Antes de se tornar cigarra, mais vale fazer um detox e depurar todos os gastos supérfluos que levam a mendigar no final do mês ou na véspera do débito do cartão de crédito.

Nada nos dá mais paz do que depender apenas do que temos e do que conseguimos poupar.

Até porque mendigar o alheio aniquila a nossa independência, cobra caro e, na maioria das vezes, destrói até as mais sólidas amizades.

 

Seg | 21.10.19

Uma pequena fenda afunda grandes barcos (a poupança em ditados #21)

 

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Transposto para a economia doméstica: CUIDADO COM OS GASTOS PEQUENOS!

Regra geral, nós controlamos as despesas mais elevadas e fixas: a prestação/renda de casa, a água, gás e electricidade, o transporte…mas não fazemos contas às despesas insignificantes.

 

Passei anos a ouvir o meu marido perguntar-me no final de cada mês: MAS ONDE É QUE GASTÁMOS TANTO DINHEIRO?

E feitas as contas grandes, não conseguíamos descobrir para onde se tinha evadido boa parte do dinheiro.

 

Deixei de ouvir essa pergunta. Porque era retórica e não tinha resposta.

Mas desde há 3 anos que já tem: instalei uma APP onde aponto tudo o que gasto, desde a casa aos cafés.

Sei exactamente o que gasto e que peso têm as pequenas despesas.

E quais posso diminuir.

Uma delas foi o Centro Comercial.

Cada vez que lá íamos, mesmo para comprar um “solo” pack de cuecas, acabávamos por lanchar ou jantar.

E trazer mais uma coisinha ou quatro ou cinco.

 

Outro corte -  pasme-se  - foram as compras mensais de supermercado.

Podem resultar com muitas famílias mas não com a minha. Havia sempre exageros nos bens desnecessários, tais como bolachas, refrigerantes, refeições pré-confeccionadas, snacks…

 

São estas pequenas fendas que estavam a vazar o meu navio (bem, há outras maiores mas essas eu sei perfeitamente quais são)

E as vossas, sabem quais são?

 

Dom | 20.10.19

A poupar se gasta e a gastar se poupa (a poupança em ditados #20)

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Poupar é não gastar?

Nem sempre e já o provei em posts anteriores.

 

Hoje dou-vos mais um exemplo: ontem gastei para poupar (no futuro): fiz um workshop para aprender a fazer sabão artesanal.

Apesar dos tutoriais que circulam na net, não me sentia segura por os copiar sem compreender... e sem aprender com quem sabe.

E a saboaria não é como a costura, em que se pode desmanchar de imediato e recomeçar. Só mais de um mês depois é que temos o resultado final.

E em caso de asneira, não há como recuperar o investimento.

 

Há muito tempo de ambicionava isto, mas o dinheiro e a deslocação faziam-me adiar.

A nível pessoal, foi mesmo muito bom!

A nível económico, espero  não ter de voltar a comprar mais sabonetes e shampoos sólidos!

E estou cheia de ideias para presentes e para vender no Mercadinho de Natal. 

 

A poupar gastei...mas a gastar irei poupar muito e lucrar alguma coisa!

Dom | 20.10.19

Bom Domingo!

 

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Eu respondo que foi ontem!

E há muito tempo que não  me sentia:

 

- tão ansiosa com o antes

- tão excitada com o durante

- tão orgulhosa com o resultado

 

Finalmente, fiz um workshop de sabão artesanal.

Em breve, este blog vai ganhar um novo aroma.

 

Bom Domingo e aprendam qualquer coisinha nova! 

Sab | 19.10.19

O hábito faz o monge (a poupança em ditados #19)

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Somos seres de rotinas.

Levantamo-nos de manhã e fazemos tudo pela mesma ordem. Mentira?

Já nem pensamos o que há a fazer. Está mecanizado.

 

Poupar pode ser um hábito como qualquer outro.

Diz-se que demoramos 21 dias a consolidar um hábito...depois disso torna-se rotina.

 

O exercício é simples:

1) Identificar que hábitos queremos assumir

2) decidir como praticá-los

3) Fazê-los deliberadamente

4) e passamos a realizá-los naturalmente, sem darmos por isso.

 

Eu não faço compras semanais sem consultar as promoções (tornou-se impensável);

Embora tenha falta de tempo, produzo o meu detergente para a roupa sem cair na tentação de ir comprar.

 

São apenas dois exemplos que provam que o hábito faz o poupadinho.

 

Até porque já aprendi que as crises são cíclicas e mais ano, menos ano, estaremos a sofrer nova contenção económica. Se até lá conseguir uma pequena almofada, não dormirei na pedra!