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A 3ª face

Dom | 21.10.18

Desafio da escrita - palavra: água

A 3ª face
    Há muito, muito tempo, num reino muito, muito distante, havia um rei justo e bondoso, adorado por todos. Neste reino muito distante, viviam tranquilos e felizes. A abundância vinha do trabalho de todos, que repartiam e se ajudavam mutuamente. Mas, como sabemos, a felicidade causa inveja a quem não a sabe construir e as histórias de riqueza deste pedaço de terra (que ninguém percebia que vinha da união dos habitantes) chegou aos ouvidos de um rei vizinho, ambicioso e prepotente.   Certo dia, chegou ao castelo do rei bondoso um mendigo, que se atreveu a pedir comida.
Sex | 19.10.18

Desafio da escrita - dia 19: aldeia

A 3ª face
Sabia que lhe restavam poucos meses. O médico não deixou qualquer réstia de esperança. Afinal, ela pedira-lhe total sinceridade. Por isso, antes de informar a família que estava no cais de embarque daquela viagem sem regresso, decidiu fazer-se à estrada e despedir-se dos lugares onde fora feliz. Ao fim e ao cabo, não foram assim tantos. Nem eram assim tão longe. Simplesmente, quando se vive sem prazo, achamos sempre que amanhã é o tempo certo.   Nalguns locais, nem saiu do (...)
Qui | 18.10.18

Desafio da escrita - dia 18: laranja

A 3ª face
  (Crédito da foto)   Lídia nunca tinha saído da herdade onde já tinham nascido os pais e avós dos seus avós. E mais não sabia, que já ninguém se lembrava. Era o seu mundo, onde brincava despreocupada com as outras crianças. Todavia, assim que fez 12 anos, começou a acompanhar a mãe e as irmãs nos trabalhos agrícolas. Ganhava menos mas fazia diferença na jorna da família. A casa onde vivia, era a segunda da rua do monte alentejano, com vista para a casa dos patrões.
Qua | 17.10.18

Desafio da escrita - dia 17: relógio

A 3ª face
    Viver numa terra pequena tem particularidades que só percebemos quando saímos para um lugar maior. Todos nos conhecemos. Todos nos cumprimentamos. A vida de uns e de outros acaba por ser partilhada. Para o bem e para o mal. A rotina dos dias pode fazer-se a pé, sem correrias, paragens, filas de trânsito. Que aqui o tempo passa mais devagar. Não posso afirmar que seja geral. Mas nas terras pequenas, ninguém precisa de usar um relógio no pulso.   O sino da torre do relógio ou (...)
Ter | 16.10.18

Desafio da escrita - dia 16: escritório

A 3ª face
    A primeira casa que tive foi um apartamento pequenino num terceiro andar sem elevador. Tudo correu bem até a minha filha nascer. O quarto onde tinha a secretária e os livros foi ocupado pela mobília da princesa. E subir com uma criança ao colo, mais o carrinho e os sacos até um terceiro andar, tornou-se um suplício. Foi na altura do boom da auto-construção, da quase universalidade do crédito à habitação e aproveitei um terreno de família para construir uma casa de verdade.
Seg | 15.10.18

Desafio da escrita - dia 15:vida

A 3ª face
    Criou dois filhos homens mas o desgosto de não ter uma menina acompanhou-a até ao dia em que lhe nasceu o primeiro neto, numa época em que as ecografias ainda não haviam sido inventadas. Era uma neta. A bebé rechonchuda e tranquila arrebatou-a de imediato. Todos os dias, a caminho do Mercado, onde ia comprar os alimentos para o almoço do marido, fazia paragem na casa do filho. Para ver a menina. Mesmo que estivesse a dormir, ficava a contemplá-la, perdida nas horas e nos sonhos. A (...)
Dom | 14.10.18

Desafio da escrita deste Domingo

A 3ª face
    Era suposto estarem a ler uma bonita história sobre a palavra do dia: Vida. Era suposto já vos ter desejado um bom Domingo com um frase inspiradora, que tanto me dá prazer. Era expectável já ter respondido a 30 comentários e ter as minhas leituras em dia. E o desafio de Outono , para o qual a Fátima me nomeou está ainda por fazer.   A verdade é que o eu e o meu sócio p'ra vida, estamos a remodelar o meu atelier. Ele construiu-me uma estante com restos de madeira que usou (...)
Sab | 13.10.18

Desafio da escrita - dia 13: avião

A 3ª face
    Conheci-a já idosa, viúva e de má saúde! Um cancro na mama tinha-lhe derrubado algum vigor mas ainda mostrava a garra de quem lutou pela sobrevivência toda a vida. Habitava uma casa velha de paredes grossas, caiadas, no meio de um monte isolado, algures no Alentejo. Em dias invernosos, só o lume de chão lhe fazia companha e lhe amornava a alma. E os animais. Os cães que só a ela davam mão, as galinhas e os patos, que há que cuidar diariamente e que a ouviam (...)
Sex | 12.10.18

Desafio da escrita - dia 12: porta

A 3ª face
  I Já estava vestida, frente ao espelho e preparava-se para colocar a máscara. Era hora de descer do quarto de hotel, para que chegasse ao baile de Carnaval à hora marcada. Saiu do quarto. Fechou a porta e seguiu pelo corredor com passos seguros. Conhecera-o num site de encontros, num momento de curiosidade e de maior solidão. Algumas colegas divertiam-se a marcar encontros casuais nesse site e ela, casada, nunca tivera coragem de perguntar como é que isso funcionava. O seu (...)