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A 3ª face

Qui | 11.10.18

Desafio da escrita - dia 11: estrela

A 3ª face
   E se cada estrela fosse o sonho de alguém Pendurado num enorme estendal E o brilho que cada um tem Dependesse do esforço para o tornar real?   Seria a tua estrela brilhante A iluminar noite e dia E a empurrar-te p'ra frente Como se fosse teu guia?   Ou seria poeira errante Apagada ou esquecida Nesse estendal do tempo?   Um sonho é estrela que nos conduz Na caminhada da vida. Que nunca se apague a luz!   Texto inserido no Desafio da escrita (...)
Qua | 10.10.18

Desafio da escrita - dia 10: morte

A 3ª face
    A mulher não lhe atendia o telefone desde que saíra de casa. Por isso, decidiu enviar a mensagem: - A minha vida sem ti não vale a pena. Que sejas feliz sem mim. Adeus.   João bebeu mais um gole de medronho, desta vez com todos os comprimidos que retirara da embalagem de calmantes que a mulher deixara na gaveta da mesa-de-cabeceira. Ela tomava-os há anos, justificando que era para não se aperceber das bebedeiras do marido, quando este chegava fora de horas. Até que nem (...)
Seg | 08.10.18

Desafio da escrita - dia 8: fruta

A 3ª face
Tinham acabado de deixar o pai sete palmos debaixo do chão. Mas a mãe, com aquela determinação que lhe conheceu a vida inteira, e apesar do desgosto contido e do cansaço de quem cuidou do marido moribundo, duas semanas seguidas, de dia e de noite, não os deixou abalar. Quis dividir, logo ali, os bens do marido pelos três filhos: as duas filhas gémeas e o filho. O resto levaria para a Misericórdia da terra, que daria jeito a alguém. Entraram os quatro no quarto. O resto da (...)
Dom | 07.10.18

Desafio da escrita - palavra: gato

A 3ª face
  Enquanto tricotava freneticamente, o novelo caiu ao chão e o gato, que dormitava a seus pés, não desperdiçou a oportunidade. Agarrou no novelo, desenrolou-o até ao canto da sala e ficou entretido, a brincar com ele. Lídia nem se mexeu. Simplesmente ficou a olhar. O gato e o novelo. Depois poisou as agulhas no sofá. Levantou-se. Decidiu fazer como o gato. Desenrolar o novelo que era a sua vida, fazer correr até onde podia prever e aproveitar o resto. O futuro. Essa incógnita (...)
Sab | 06.10.18

Desafio da escrita - palavra: cinema

A 3ª face
    Deu de caras com ele inesperadamente, na festa da terra. Há mais de 20 anos que não o via, desde que os pais se mudaram para Lisboa. Ela ficou pela vila. Apesar de sonhar com uma cidade grande, a verdade é que assim que acabou o secundário arranjou trabalho e por aqui ficou.  Casou cá, os pais arranjaram-lhe a casa que herdaram dos avós e a vida foi correndo.    Reconheceu-o assim que o viu. O cabelo louro continuava igual e aquele sorriso branco, que mostrava o canino (...)
Sex | 05.10.18

Desafio da escrita - palavra: alho

A 3ª face
  Quando o empregado de mesa chegou com a sopa alentejana que escolhera no menu, não conseguiu esconder as duas grandes lágrimas que lhe rolaram pela cara. Sopa alentejana, no seu Alentejo, era uma valente sopa de feijão com hortaliças e, quiçá, uns pedaços de toucinho e linguiça. Aqui, no restaurante a que a filha a trouxera, dizendo que era de cozinha genuinamente alentejana, isso era, afinal, uma açorda de alho!   Há muitos anos, quando saiu do monte para vir servir para (...)
Qui | 04.10.18

Desafio da escrita - dia 4: livro

A 3ª face
  Chamavam-lhe “o Dótor”, alcunha que ganhara nos tempos de escola. Os livros eram o seu fascínio e andava sempre com um debaixo do braço. Sempre. Desde que se levantava até que se deitava.   Pena que nunca conseguira aprender a ler. Os 8 anos em que andou na Primária, e apesar do esforço das professoras, foram inúteis nessa área. Os médicos concluíram que tinha um atraso mental. Anos mais tarde, perante a insistência da mãe, que jurava que o filho era bastante (...)
Qua | 03.10.18

Desafio da escrita - dia 3 : dentes

A 3ª face
Hoje não vou inventar histórias. A palavra do dia é-me muito cara (literalmente) e leva-me a um post de Agosto do ano passado e que não resisto em republicar:           Nunca achei piada ao ritual da Fada dos Dentes. Da notinha debaixo da almofada ou de atirar o dente para o telhado e gritar: “Dentinho, dentão, toma lá um podre, dá cá um são” (as pessoas da minha geração sabem do que estou a falar). Fiz mal. Razão tinha a minha mãe em venerar a dita Fada, ao ponto de (...)