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A 3ª face

Seg | 14.05.18

Ainda há paus-de-cabeleira?

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A malta jovem que me desculpe, mas namorar agora não tem graça.

Não precisam inventar trabalhos de grupo para sair de casa, procurar as ruas escuras para um beijo mais prolongado, ter amigos que tapem as escapadelas matreiras.

No meu tempo, menina de boa família não namorava na sombra.

Também já não precisava ficar no poial da porta, com a mãe à janela. Ou aproveitar o bailarico para um encosto mais atrevido.

Eram os fabulosos anos 80 da província e a “descaradice” dos tempos modernos eram aceites apenas nas telenovelas.

Ora eu, moça muito séria (?), tinha uma amiga que começou a namorar por volta dos 16 anos.

Às escondidas, pois claro.

E eu, como qualquer boa amiga que se preze, assumi ser pau-de-cabeleira  para que o casalinho tivesse alguns  momentos a sós.

Mas amizades destas são para retribuir e o namorado da minha amiga (também amigo meu) arranjou um amigo para me fazer companhia…

Estávamos em 1987. E era Inverno.

No primeiro mês de 1988, os dois paus-de-cabeleira demitiram-se da função.

Passaram a namorados, quase por brincadeira.

Os meus amigos, alguns meses depois deixaram de precisar de nós.

Terminaram o namoro.

 

Voltaram a ver-se a 14 de Maio de 1994.

No dia em que estes dois paus se entrelaçaram .

Há 24 anos que, isto de ser árvore, continua.

Há dias em que a sombra escurece as folhas. Outros em que o sol até se espelha no tronco sólido.

Que uma árvore precisa de todas as estações para fortalecer.

 

Não sei se ainda há paus-de-cabeleira.

Nem sei se por aí sabem o que significa.

Para mim, significa AMOR! E é o que me basta.

Parabéns a nós! 

 

 

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