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A 3ª face

Ter | 16.10.18

Desafio da escrita - dia 16: escritório

 

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A primeira casa que tive foi um apartamento pequenino num terceiro andar sem elevador.

Tudo correu bem até a minha filha nascer.

O quarto onde tinha a secretária e os livros foi ocupado pela mobília da princesa.

E subir com uma criança ao colo, mais o carrinho e os sacos até um terceiro andar, tornou-se um suplício.

Foi na altura do boom da auto-construção, da quase universalidade do crédito à habitação e aproveitei um terreno de família para construir uma casa de verdade.

Com espaço, com terreno à volta, com traça alentejana. A tradicional barra azul.

 

Na verdade, o edifício tem duas habitações. A minha e a dos meus pais.

Que cumpri o sonho de lhes dar uma casa de verdade, com todas as condições. Coisa que nunca tiveram.

 

A minha é maior, pois claro. Com dois pisos.

No piso de cima, fica o quarto dos hóspedes, uma casa de banho e o escritório com uma área generosa. Mais um sonho realizado.

O quarto (que entretanto foi ocupado pela minha filha) e o escritório têm janelas de sacada, que se abrem para um terraço com uma vista privilegiada sobre a cidade.

Se tivesse tempo, poderia assistir todos os dias ao por do sol, àquela hora mágica em que os raios de fogo se espelham na água do rio até só restar a silhueta sombria do casario.

Outro sonho realizado.

Num recanto do escritório, existe mais um compartimento pequeno. Quem entra não se apercebe porque uma estante tapa a visão da porta.

 

Mudei-me para essa casa já grávida do segundo filho. A mais velha tinha então 5 anos e fazia questão de ser ela a mostrar a casa às visitas que lá iam pela primeira vez.

O quarto dela, o dos pais, o do mano que iria nascer…

No primeiro andar, quando os visitantes se encontravam no escritório, levava-os para o canto onde estava a tal porta meio escondida e dizia:

- E ête é o scitório da minha mãe.

E abria ainda mais os enormes olhos azuis para observar  a reacção das pessoas quando se deparavam com a tábua de passar a ferro!

É que outro dos meus sonhos foi ter um espaço reservado para engomar, com a tábua sempre pronta a entrar ao serviço, em caso de emergência.

 

Às vezes, quando lá entro com uma braçada de roupa, ainda lhe oiço a vozinha matreira a apresentar a casinha de passar a ferro.

 

 

Texto inserido no Desafio da escrita

Palavra do dia 16: escritório

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