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A 3ª face

Qui | 04.10.18

Desafio da escrita - dia 4: livro

 

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Chamavam-lhe “o Dótor”, alcunha que ganhara nos tempos de escola.

Os livros eram o seu fascínio e andava sempre com um debaixo do braço.

Sempre. Desde que se levantava até que se deitava.

 

Pena que nunca conseguira aprender a ler.

Os 8 anos em que andou na Primária, e apesar do esforço das professoras, foram inúteis nessa área.

Os médicos concluíram que tinha um atraso mental.

Anos mais tarde, perante a insistência da mãe, que jurava que o filho era bastante inteligente e só não conseguia ler, deram-lhe um diagnóstico elegante e que a convenceu: Síndrome de Asperger.

Mas, mesmo sem ler, amava livros.

Enquanto criança, insistia para que a mãe lhe lesse diariamente os seus predilectos.

Decorou as histórias, página a página e quem não o conhecia, nem desconfiava que era analfabeto.

Mais tarde, percebeu que, quando a professora pedia à turma o resumo de um livro, cada qual narrava uma história diferente. E concluiu que o importante não é o que está escrito mas o que guardamos dentro de nós.

 

E aprendeu a ler.

A única diferença é que, ao invés dos leitores comuns, as histórias que lia soltavam-se da sua cabeça e cravavam-se nas letras dos livros.

E todas começavam assim:

“ Era uma vez um homem que sabia ler…”

 

Texto inserido no Desafio da escrita

Palavra do dia 4: livro

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