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A 3ª face

Qua | 08.11.17

Ei, tu aí que me viraste a cara no Peditório da Liga Portuguesa Contra o Cancro...

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(Imagem retirada da Net)

 

… podes voltar atrás e ouvir-me?

Deixa-me dizer-te que ninguém é obrigado a colaborar com a Liga. Ninguém é compelido a apoiar os rastreios nacionais que têm salvo milhares de vidas através do diagnóstico precoce, nem as acções de prevenção que se fazem em todos os cantos do país. Muito menos, a amparar doentes e famílias quando a doença os atinge e o mundo desaba.

Estou aqui em regime de voluntariado e deixei a minha família em casa (que só se reúne ao fim de semana) e tenho ainda tanto por fazer!

Por isso, quando te digo boa tarde e te pergunto se queres colaborar com a Liga, convidando-te a enfiar uma moedinha na caixa, não me vires a cara como se tivesse lepra ou estivesse a pedir-te a alma.

Diz-me apenas que não, dá-me um sorriso, torna-te invisível a olhar para o telemóvel mas não me vires a cara com ar de desprezo. Eu, enquanto um dos rostos dos milhares de voluntários deste país, não mereço!

É verdade que estou aqui porque quero. Porque faço questão de ajudar e adoro observar esta verdadeira montra de comportamentos humanos a reagir a um estímulo tão simples. A minha veia sociológica extasia-se nestas horas de observação directa e divirto-me a categorizar as pessoas em várias classes:

- os sinceros,  que nos dizem que já deram noutro lado, e percebemos que estão a ser verdadeiros, ou  que dizem educadamente que não querem dar;

- os mentirosos, que murmuram apressadamente que já colaboraram mas nem nos conseguem olhar nos olhos;

- os invisíveis, que se encolhem ou fingem estar no meio de um importante telefonema;

- os bondosos, que já deram dinheiro várias vezes mas nunca conseguem dizer que não;

- os mal-educados, que nos viram a cara ou mostram um ar de desprezo;

- os surpreendentes, como dois jovens de Leste, que mal falam português e que não terão percebido o que eu e a minha colega estávamos a pedir à porta do supermercado e nos apareceram com duas queijadas para nos oferecer!!!! Por mais que eu tentasse explicar que se tratava de um peditório para a Liga Portuguesa Contra o Cancro, ou eles não perceberam ou quiseram premiar-nos pelo esforço de passarmos três horas em pé a pedir dinheiro. Porque corpinho de fome, eu não tenho, de certeza absoluta!

 

Obrigada a todos que colaboraram!

 

2 comentários

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    A 3ª face 09.11.2017 23:33

    Obrigada por mostrar sua perspectiva. Não quero ser a boa (não sou). Quanto à classificação das pessoas, compreendo o que quer dizer mas, na minha opinião, acho que a "catalogação" da realidade é um processo inevitável do ser humano face ao desconhecido. O que é bem diferente de discriminar ou não aceitar os outros.
    Entenda a minha "catalogação" como um jogo que tenho para me entreter nos tempos mortos (nunca contou matrículas ou cores de carros em criança?) Obviamente que não pretendo julgar pessoas que não conheço só por uma reacção. Será que, por ler o meu texto,não me catalogou de imediato?
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