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A 3ª face

Qua | 05.12.18

O mito do voluntariado: ninguém dá nada a ninguém

voluntario-corte.jpg

Crédito da foto

 

Celebra-se hoje o Dia Internacional dos Voluntários. Daqueles que, a troco de nada, cedem o seu tempo a bem de alguém ou de alguma coisa. 

 

Mas será mesmo assim? 

 

O Voluntariado é definido como um conjunto de acções de interesse social e comunitário, realizadas de forma desinteressada no âmbito de projectos, programas e outras formas de intervenção ao serviço de indivíduos, famílias e comunidades, desenvolvidos sem fins lucrativos, por entidades públicas ou privadas.

Ou seja, alguém que, de forma desinteressada decide responsabilizar-se por desenvolver acções a bem da comunidade.

 

E alguém acredita que se cede tempo, recursos e energias sem interesse? Acrescidos da responsabilidade de cumprir um horário ou uma escala, mesmo que esporádicos?

Quem aí me está a ler e tem por hábito fazer coisas que não lhe interessa sem ser obrigado a tal?

 

Por isso eu creio - e já coordenei alguns projectos de voluntariado - que isto é um mito. Uma definição oficiosa que não existe na realidade.

 

Um projecto de voluntariado, quando bem organizado, é um trabalho perfeito. As pessoas estão lá porque gostam e enquanto gostam. Sem obrigação de continuar.

E estar onde nos sentimos bem, sem esperar nada em troca,  é raro.

O voluntário não ganha dinheiro. Pois não.

Nem regalias.

 

Mas espera muito em troca.

 

Em primeiro lugar, espera a realização pessoal porque sente prazer em ajudar.

Assume-o como uma missão. E não se trata apenas de apoio social. Pode tratar-se de colaborar num evento cultural, na defesa do ambiente, na recolha de lixo, por exemplo.

 

Depois, quer sentir-se útil. Preencher-se enquanto pessoa e manter-se ligado à comunidade.

Encontrar a segurança de quem ocupa um lugar no mundo e quer sentir que faz aqui falta.

 

Finalmente, e mesmo que o negue, aguarda reconhecimento. Que alguém agradeça o seu contributo. Que reconheça o seu empenho e que o valorize.

 

Porque o voluntário não dá. 

O voluntário troca o seu contributo por sorrisos, por um obrigado, por um olhar de reconhecimento pelo seu esforço. E pela felicidade de fazer bem aos outros.

Esta é a moeda do voluntariado. Quem não compreende, desconhece que estas acções mantêm a engrenagem social, embora de forma quase invisível.

 

Por isso, da próxima vez que se cruzar com um voluntário, faça dele um milionário. Pague com sorrisos, com um gesto de carinho e um obrigado. 

É tudo quanto ele precisa para continuar.

 

5 comentários

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    Anónimo 06.12.2018 19:49

    É isso mesmo. Eu já há muito tempo que deixei de acreditar no "Pai Natal", e salvo raras excepções, ninguém dá nada a ninguém, antes pelo contrário.

    O que temos hoje é um retrocesso civilizacional assustador e um povo infantil que gosta muito de "circo".

    Esses ditos bons, só vem o que lhes interessa ver pois há muitas coisas graves que acontecem neste país, mas disso não falam.
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    A 3ª face 07.12.2018 00:30

    Na minha opinião, eu acho que os maus exemplos e os problemas existentes não invalidam que cada um possa tentar melhorar o mundo em que vive. Seja através da denúncia desses problemas seja através do voluntariado, por exemplo.
    Eu ainda acredito no Pai Natal...ou melhor...que cada um de nós é um Pai Natal pequenino mas com muito para dar aos outros.
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    Anónimo 09.12.2018 23:19

    Penso que você não gosta de ser nem de andar enganada, certo? Se sim, talvez eu lhe consiga arranjar factos que demonstram a farça que existe. Mas poderá ser um choque muito grande!

    E já que falou em denunciar, pergunto como podemos denunciar factos graves se "ninguém" nos ouve, se "ninguém" quer saber?

    Como sabe ou devia saber pela realidade, o importante para o povo é "circo". Não estou a dizer que é tudo igual, mas as excepções serão poucas.

    Pode começar por ver aqui, bem bom!
    https://vilipendio.blogs.sapo.pt/as-rasteiras-da-evolucao-40761
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    A 3ª face 15.12.2018 13:16

    Vou ler o artigo.
    Muito obrigada pelo comentário. Muito pertinente.
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