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A 3ª face

Ter | 25.09.18

O Sistema Nacional de Saúde no seu melhor

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Eu, que tenho ADSE, normalmente faço consultas no privado.

O SNS é aquilo que a gente sabe...ouve falar...lê nas notícias.

O Hospital de referência da minha zona de residência, o HLA (O Hospital do Litoral Alentejano) goza de má fama.

Faltam médicos especialistas, enfermeiros, os atrasos nas consultas são de horas, a espera por uma consulta é de meses.

 

Pois calhou que eu, depois de fazer o rastreio do cancro do colo do útero, fui encaminhada para uma consulta de Patologia Cervical no HLA.

Pânico!

Fui avisada da consulta por um SMS.

A carta chegou uma semana depois.

A consulta marcada no médico de família, agendada por ele para me explicar o resultado do exame e que me iria encaminhar para a especialidade, ocorreu 2 dias depois de ter voltado da consulta de especialidade.

Pelo menos aqui, o HLA foi célere. Muito célere.

 

Na semana passada, conforme agendado, fui fazer uma colposcopia com biopsia.

Cheguei à hora. Entrei À  HORA.

Enquanto me espernegava na cadeira e enfiava as pernas nos apoios, o coração contraía-se. Apertadinho, encolhido de puro cagufo.

Não pelo exame. Mas pelo que poderá vir a seguir...

Pronta para que a médica me vasculhasse as entranhas e me roubasse um bocadinho para amostra.

Com vontade de fugir dali a sete pés.

 

A enfermeira foi-me explicando os procedimentos, transmitindo-me tranquilidade.

A médica foi complementando.

Acabámos as três a discutir a importância da comunicação entre médicos e  pacientes.

Que é isso que faz a diferença no atendimento.

Que é isso que um doente valoriza quando rotula um bom ou um mau médico.

Elas deram exemplos de casos em que as pacientes se queixam de maus-tratos quando, afinal, apenas faltou dar atenção à parte emocional.

Eu, do outro lado, sei perfeitamente que, se o médico não nos explica o que está a fazer, se nos trata como um corpo vazio, o cérebro apenas regista a sensação  de abandono. 

E, mesmo que a intervenção física  seja um sucesso, as cicatrizes emocionais ficam para sempre.

 

A fragilidade emocional é um efeito colateral de qualquer doença física.

E esta não se combate com químicos. Cura-se rapidamente com empatia, capaz de transmitir segurança e tranquilidade ao paciente.

 

Se calhar é isto que faz mais falta no SNS.

Que não nos tratem como carros numa oficina apinhada.

E esta equipa sabe-o bem.

Conseguiu que eu relaxasse e que aqueles minutos de angústia fossem ultrapassados pelo carinho com que fui tratada.

E é disso que me estou a lembrar agora, mais do que dos procedimentos desagradáveis que este exame implicou.

 

Posso continuar a ouvir histórias terríveis do SNS e do HLA.

Porque é sobre isso que nós, cidadãos, mais gostamos de nos pronunciar. Do que corre mal. Que infelizmente acontece com frequência.

Mas também é importante partilhar o que corre bem. E eu acredito que acontece a todas as horas.

Mostrar a gratidão para com aqueles que, mesmo confrontados diariamente com consultas a mais, poucos recursos e sabe-se lá que mais, continuam a colocar o paciente acima de todas as angústias pessoais.

 

Obrigada Drª Carmen Rebanal e Enfª Sónia Tojinha. Fui mesmo muito bem tratada!

São pessoas como vocês que fazem a diferença.

São o Serviço Nacional de Saúde no seu melhor!

 

 

 

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