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A 3ª face

Qua | 25.10.17

Outubro é o mês da prevenção do cancro da mama mas o mundo ainda não é cor-de-rosa

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Homens, este assunto também vos interessa! Embora seja mais raro, os homens também podem sofrer de cancro da mama!

 

O movimento conhecido como Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, nos anos 90 e foi recebendo adesão um pouco por todo o mundo, com o objectivo de permitir sensibilizar a população para a temática da prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama.

Em Portugal, o mês de outubro é assinalado por duas efemérides: a 15 de outubro assinala-se o Dia Mundial da Saúde da Mama e a 30 de outubro o Dia Nacional de Luta Contra o Cancro da Mama. É no período compreendido entre estas datas que a Liga Portuguesa Contra o Cancro desenvolve o movimento "Onda Rosa" procurando incentivar à prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama. Eu, por exemplo, irei participar no próximo sábado, numa caminhada organizada pelo Núcleo Local da Liga, onde sou voluntária.

 

Mas do que quero mesmo falar, é da entrevista mais lúcida dos últimos tempos que li sobre o tema. Sem pintar o mundo de cor-de-rosa e de forma aberta, Lynne Archibald, presidente da Associação Laço, fala sobre o cancro da mama de maneira isenta e esclarecida.

Senti, muito pessoalmente, que é uma daquelas pessoas especiais que fazem andar o mundo: acredita, luta e, quando percebe que o caminho é infértil, assume a derrota e desbrava novas rotas. E nunca desiste!

 

Atrevo-me a transcrever,  aqui, os excertos mais marcantes da entrevista publicada pela Revista Activa, edição de Outubro (com os devidos créditos e reconhecimentos):

 “Em 2001, nós achávamos que fazendo o rastreio muito cedo, íamos conseguir encontrar os nódulos e eliminá-los, e que se conseguíssemos estender o rastreio a todas as mulheres, mais ninguém iria morrer de cancro da mama.  Em todo o mundo se promoveu o rastreio. Mas em 2008, começaram a sair os primeiros estudos sobre a sua eficácia. E para nosso espanto, vimos que não estava a ter o impacto que esperávamos. Ninguém quis acreditar (...) Intuitivamente, a ideia funcionava: se eu tenho uma coisa má e a tiro enquanto não está desenvolvida, resolve-se. E em alguns tipos de cancro é assim que funciona. Mas no cancro da mama não. Em muitos casos, diagnosticados cedo, de facto resolve-se o problema.  Mas em 30 % dos casos, o cancro já espalhou e não o conseguimos ver ou já está programado geneticamente para se espalhar e vai-se espalhar mesmo com quimio e radioterapia. E muitas destas mulheres não têm idade para fazer rastreio.

(...)

Quando desenvolvemos a rede de rastreio, achámos mesmo que íamos acabar com o cancro da mama. Quando começámos, em 2001, morriam todos os anos 1500 mulheres com cancro da mama. Hoje, morrem 1600.

(...)

Voltámo-nos para a ciência. Nós não sabemos a causa do cancro da mama. Apenas 5% são devidos a mutação genética, o que quer dizer que 95% não são. São devidos a quê? Não sabemos!

 (...)

As doenças não são curadas nos hospitais: são curadas muito mais cedo nos laboratórios.

(...)

Claro que 70% das mulheres diagnosticadas são tratadas e ficam bem.

(...)

Hoje há muitas mulheres que vivem mais tempo com cancro metastizado(...) mas a média é de 24 a 36 meses.

 (...)

Acho que eticamente todas a s pessoas têm o direito a saber ao certo aquilo que têm. Até porque precisam de organizar a sua vida, de escolher as suas prioridades, e até mesmo de recusar tratamentos que as fazem sentir muito mal e que não lhes vão fazer nada em termos de sobrevida.(...) Não há nada mais duro para dizer a outra pessoa que: "Eu não tenho mais tratamentos para si". Mas isso tem de ser feito, porque a pessoa tem o direito de saber o que a espera, e muitas vezes os médicos insistem em tratamentos que não trazem quaisquer benefícios. 

(...)

- Como é que eu posso ajudar alguém com cancro?

Sendo sensível ao que a pessoa quer. Há pessoas que querem informação, há pessoas que não querem saber de nada. Há pessoas que querem falar, há as que não querem. E há coisas que não devemos em definitivo dizer. "Não te preocupes que vai correr tudo bem", por exemplo. Como é que eu não me preocupo, se tenho cancro? Ficar preocupada é racional. Portanto, o mais importante é ficar ao lado da pessoa, e absorver o que ela tiver para descarregar. Também pode dar ajudas práticas, ajudar com a vida de todos os dias.

 

 

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