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A 3ª face

Ter | 21.08.18

Surpreende-te com o que consegues fazer!

Esta semana, uma das minhas melhores amigas faz anos.

Estou aqui a pensar o que lhe irei oferecer...

Mas é melhor começar primeiro por relembrar o que já lhe ofereci... não vá repetir alguma coisa!

Por isso, foi inevitável percorrer os últimos anos da minha vida. Tanta coisa mudou!

Sempre gostei de lavores (parece que a palavra caiu em desuso, não foi?) 

 

Aprendi bem cedo a fazer crochet. Por teimosia, porque a minha mãe convenceu-me que eu nunca iria aprender (afinal ela é que não me conseguiu ensinar).

Com 8 anos decidi, por minha iniciativa, aprender a bordar durante as férias. 

Ainda uso, na cesta do pão, o meu primeiro trabalho.

Depois aprendi tricot com a minha mãe mas ela só sabe os pontos básicos e não fui além de umas luvas, perneiras e algumas camisolas simples.

 

Quis aprender a costurar. Com muita insegurança, ainda fiz um saco do pão, que continuo a  usar e já mostrei aqui.

Mas, desta vez, a minha mãe convenceu-me mesmo de que não tinha jeitinho nenhum. E, de facto, era muito difícil coser a direito! Pouco depois a máquina avariou e acabou-se a costura.

 

Já maior, ainda fiz algumas peças para o enxoval, principalmente em ponto cruz e renda.

Mas a faculdade, o amor, e um admirável mundo novo, cheio de amigos e coisas giras, chamaram-me para outros interesses.

 

Comecei a trabalhar e a ganhar dinheiro e é sempre mais fácil comprar aquilo que gostamos, seja para nós, seja para oferecer...

Depois de casar, ainda comprei uma máquina de costura mas ficou em casa da minha mãe e era ela que me desenrascava as bainhas das calças e pequenos arranjos.

 

Vieram os filhos e pouca coisa criei com as minhas mãos.

Da primeira vez, a barriga cresceu-me em paralelo com uma tese de mestrado e não havia tempo livre.

Com o segundo filho, já somos mães a tempo inteiro e não é fácil ter hobbies.

 

Mas por volta de 2013, a crise caiu-nos em cima e o nosso rendimento diminuiu bastante, lembram-se? 

O desemprego aumentou, ficámos sem os vencimentos suplementares e, mesmo na função pública, o vínculo deixou de estar garantido.

Foi preciso mudar comportamentos e travar gastos.

E eu, que sempre adorei oferecer presentes, fiquei sem orçamento para continuar a mimar as (muitas) pessoas de quem gostava.

Um dia, decidi comprar dois pedaços de tecido para experimentar fazer umas capas para cadernos, que se tornaram moda.

Treinei a costura a direito, depois o zig-zag. Experimentei moldes, descosi quando ficou torto...

E fui-me entusiasmando. E ganhando segurança e experiência.

A internet e o Google foram os meus melhores professores. Ainda são...

 

Em 2013, quando esta minha amiga fez anos, ofereci-lhe um presente feito por mim. Pela primeira vez!

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Um caderno, uma bolsa para o telemóvel e outra para os lenços de papel.

 

Estamos em 2018 e muita coisa evoluiu.

Dos presentes oferecidos, começaram a surgir algumas encomendas.

Fui apurando os conhecimentos e as técnicas.

Apaixonando-me cada vez mais por tecido e fitinhas.

Cada encomenda diferente tornou-se um desafio que sempre consegui superar.

Em 2016, farta de perder tempo a bordar à mão e com uma avaria na máquina,  investi o meu lucro desse ano numa máquina de função dupla: coser e bordar.

Não posso dizer que é um part-time porque quase tudo o que ganho aplico na compra de novos materiais (e aqui em casa gozam com o valor irrisório dos meus preços)...

Mas, pelo menos, mantenho a minha paixão com orçamento autónomo.

Já participei em alguns mercadinhos de artesanato.

Abri actividade nas Finanças, passo factura. 

 

Uma das últimas encomendas foi um conjunto para um pequeno pirata: Uma mochila (tive que fazer o molde), uma capa para o boletim de vacinas e uma bolsa para a higiene oral (com mini-toalha a condizer).

 

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 Se, em 2012, me dissessem que iria conseguir fazer isto, a barrigada de rir que eu não iria apanhar!

 

2 comentários

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    A 3ª face 21.08.2018

    Muito obrigada!
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